Sobre o ônibus 174

Atividade – Filme: Última Parada 174
Texto 1
A morte de sete crianças indefesas na madrugada do dia 23 de julho de 1993 chocou o país e o mundo, descortinando nossos olhares para uma dura realidade. Por volta das 0:30 hora, cerca de 50 menores que dormiam sob a marquise de um edifício na Praça Pio 10, ao lado da Igreja da Candelária, foram acordados por alguns homens que perguntavam por um tal de ‘Russo’. Ao identificarem o ‘Russo’, dispararam tiros de revólver sobre ele, matando-o. A partir daí o desespero tomou conta da cena: jovens correndo para todos os lados, fugiam dos disparos. O saldo da ação violenta foi a morte de várias crianças.
Texto2
Jardim Botânico, cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12 de junho de 2000. Ondas eletromagnéticas atravessam o éter da cidade maravilhosa para levar aos lares de milhões de brasileiros pouco mais de cinco horas de imagens ao vivo de violência urbana, comum em muitas metrópoles. As imagens revelavam que um jovem, ao tentar assaltar um ônibus, teve sua ação interrompida pela polícia e pela imprensa, que cercaram o veículo. O assalto frustrado transformou-se, de um momento para outro, em seqüestro.
A artista plástica Yvone Bezerra de Mello, que conhecia Sandro desde os tempos em que ela desenvolvia um trabalho social com os meninos de rua da Candelária, em seu depoimento, informa que Sandro, aos seis anos de idade, presenciou o assassinato violento de sua mãe na favela do Rato Molhado. Sem ninguém para apoiá-lo – o pai desconhecido -, o menino acaba indo viver na rua. Com os laços familiares desfeitos, a criança termina por se juntar a um grupo de meninos de rua. Sandro foi um dos meninos que sobreviveram ao massacre da Candelária.
Texto 3
Constituição Federal (Brasil, 1988) – Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Questões
1. Há alguma relação entre os acontecimentos descritos nos dois primeiros textos? Qual?
2. Enumere cada um dos episódios violentos mencionados nos textos e coloque-os em ordem cronológica. É possível identificar relações entre esses fatos?
3. Que outros fatores poderiam explicar os fatos descritos nos Textos 1 e 2? Formule algumas hipóteses e discuta-as.
4. Que tipo de vida esses meninos de rua levavam? De que forma estavam expostos à violência?
5. A situação de vulnerabilidade social está ligada à violência e à criminalidade? Explique.
6. Quais foram as motivações para o assassinato dos menores na Candelária e como foi o desfecho do seqüestro do ônibus 174?
7. O que a Constituição brasileira de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) prevêem sobre os direitos das crianças?
8. Sandro e os outros meninos de rua tiveram os direitos garantidos? Apresente fatos que demonstrem a sua resposta.
9. O que a sociedade ofereceu aos meninos da Candelária e a Sandro em especial e o que obteve de volta? Qual a relação entre a “invisibilidade” dos meninos e os conflitos posteriores?

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